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Saúde

23/08/2022

Correio da Saúde - Edição nº 1185 - de 23 de agosto de 2022

Edição nº 1185 - de 24 de agosto de 2022

"Raspa da raspa" - É preciso repensar, requalificar e melhor financiar a atenção à saúde mental

No final da década de 70 surgiu no Brasil o chamado "Movimento da Reforma Psiquiátrica", em que diversos segmentos sociais questionavam o modelo de tratamento centrado na segregação de pessoas portadores de transtornos mentais em hospitais psiquiátricos e denunciavam graves violações aos direitos humanos.

Fruto dessa intensa mobilização social, em 2001 foi publicada a Lei Federal nº 10.216, que assegurou a proteção e direitos desse público e reformulou o modelo de assistência "a partir de serviços abertos, comunitários e territorializados, buscando a garantia da cidadania de usuários e familiares, historicamente discriminados e excluídos da sociedade1".

Decorridos mais 20 anos desde a lei antimanicomial, encontramos, atualmente, uma rede de atenção psicossocial bastante fragilizada, principalmente em razão do seu subfinanciamento. Acresce-se, nesse contexto, a falta de prioridade na área, muito embora nos últimos anos os indicadores em saúde mental tenham disparado - a pandemia pela Covid-19 colocou essa dificuldade à mesa como jamais visto.

A "raspa da raspa" foi a expressão utilizada por uma assistente social que atua em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) no Amapá, em entrevista à Folha de São Paulo, ao desabafar sobre o grau de importância dada ao tema no Brasil.

E ela não poderia estar mais correta. Levantamentos apontam que apenas 1% do total do orçamento público nacional é investido em saúde mental, o que deve ser suficiente para tratar, segundo estimativas, apenas um quarto da população ao longo da vida. A título de comparação, a Organização Mundial de Saúde recomenda um investimento mínimo anual de 6%.

 

 

 

Para driblar essa adversidade é preciso agir rápido. Na prática, é perceptível que, em regra, a Atenção Primária à Saúde não está preparada para tratar desses agravos, acabando por serem direcionados, onde há o serviço, para os Centros de Atenção Psicossociais ou, ainda, a internamentos psiquiátricos, sem que haja o devido acompanhamento prévio e posterior na APS.

Resumir os atendimentos em saúde mental a internamentos, sem assegurar a continuidade terapêutica, gera um ciclo vicioso injusto ao paciente e quase sempre pouco resolutivo.

Uma pequena amostra desse cenário é verificada com base nos dados extraídos do Sistema Protege - Proteção à Pessoa Cometida de Transtorno Mental, que foi desenvolvido pelo Ministério Público do Paraná para propiciar o registro e o acompanhamento das internações e altas psiquiátricas involuntárias e voluntárias (neste último caso apenas daqueles usuários ou dependentes de drogas) em todo o estado. São indivíduos que passam por diversas reinternações e sem perspectiva de melhora pela ausência de assistência pós-alta em seu município de origem, pois não estão preparados para atuar em face dessa silenciosa crise.

 

Obs. O número à esquerda se refere à identidade do paciente no Protege e à direita a quantidade de internações a ele vinculadas.

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Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/18-5-dia-nacional-da-luta-antimanicomial-3/#:~:text=O%20movimento%20antimanicomial%20caracteriza%2Dse,em%20nome%20de%20pretensos%20tratamentos.

Folha de São Paulo. Brasil ainda sofre para levar saúde mental aos extremos 20 anos após reforma  Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/07/brasil-ainda-sofre-para-levar-saude-mental-aos-extremos-20-anos-apos-reforma.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha

A história da primeira vacina 100% brasileira contra a Covid-19

Para contar a história do desenvolvimento da primeira vacina brasileira contra a Covid-19, a Fundação Oswaldo Cruz lançou o livro "A PRIMEIRA VACINA 100% BRASILEIRA CONTRA A COVID-19 a conquista de Bio-Manguinhos/Fiocruz".

O case de sucesso é narrado por diversos atores que, de uma forma ou outra, se envolveram no processo até a concepção do produto final.

A publicação aborda temas como: (i) a cadeia de prospecção, desenvolvimento e registro da vacina (avaliação das vacinas candidatas, o instrumento jurídico da "Encomenda Tecnológica", desenvolvimento da vacina de Oxford/Astrazeneca/Fiocruz, ensaios clínicos, estratégia regulatória e transferência de tecnologia, (ii) cadeia de produção, distribuição e vigilância; (iii) governança e suporte (gestão do projeto da vacina, governança do projeto da vacina e atuaçao do Poder Executivo, Legislativo e do Comitê Técnico-Científico) e (iv) inovações na cadeia de valor da vacina (modelo de análise das inovações no desenvolvimento e transferência de tecnologia vacinal em situações emergenciais).

O livro está disponível para download aqui.


 

 
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