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Edição nº 1032 - 12 de dezembro de 2018

Edição nº 1032 - 12 de dezembro de 2018

O SUS e a saúde suplementar: dores comuns

Em seminário promovido pela Folha de São Paulo, em 5/12/18, especialistas debateram o futuro da saúde suplementar, frente a escalada dos custos no setor, e trouxeram reflexões em relação ao SUS.

A principal causa de distorções, tanto no SUS como na saúde suplementar, é a chamada inflação médica, 3,4 vezes maior em comparação com a inflação da economia. Enquanto a primeira atingiu, em 2017, patamar de 20,4%, a segunda foi de 2,95%. No setor privado ela se reflete nos valores das mensalidades, no SUS na redução da oferta e da qualidade dos serviços.

Com o alto índice inflacionário, os sucessivos aumentos dos planos de saúde e o crescente desemprego, estima-se que, entre 2014 e 2017, 3 milhões de usuários migraram para o SUS. Essa transferência ocorreu em um cenário já bastante desfavorável de subfinanciamento e regressão orçamentária, sobrecarregando ainda mais o sistema público.

Para contornar a crise, além de buscar um novo modelo de remuneração, os especialistas avaliam que é preciso maior entrosamento entre a saúde pública e privada para melhorar o desempenho de ambos os sistemas. Uma simples medida, por exemplo, seria a obtenção de acesso à informações do histórico do paciente em tratamentos feitos no SUS, pois evitaria a repetição de exames.

 

Veja como se manifestaram alguns dos entrevistados:
 

“Há uma supervalorização dos exames por causa da insegurança do médico. Esse modelo de pagamentos privilegia a quantidade, não a qualidade. O médico precisa ser treinado na área de custos.”
José Chechin - diretor-executivo da Federação Nacional de Saúde

 

“Infelizmente, perdemos na questão do ressarcimento ao SUS pelo placar de 11 a zero no STF. Não fomos capazes de despertar na sociedade a noção de que quem paga por isso são os consumidores, não as operadoras.” 
Felipe Rossi - diretor da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde)

 

“Um dos maiores desafios é gerenciar dos dados que chegam de maneira desestruturada e transformá-los em informação para melhorar a saúde da população. Devemos usar o máximo de tecnologia possível”
Alexandre Rosé - diretor de serviços clínicos da Amil Assistência Médica Internacional.

 

“Suicídio barato é aquele bem-sucedido, o mal-sucedido é extremamente caro para o plano de saúde. Vale muito mais tratar o paciente antes, com psicoterapia, do que deixá-lo na UTI depois.”
Walter Cintra Ferreira Junior - coordenador do MBA em gestão de saúde da Escola de Administração de Empresas da FGV

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Fonte: FSP, semináriosfolha: saúde suplementar 2ª edição (publicado em 8/12/18).

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