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Edição nº 1034 - 10 de janeiro de 2019

Edição nº 1034 - 10 de janeiro de 2019

Mais Médicos: Menos Médicos

Com o anúncio do governo cubano de deixar o Programa Mais Médicos, o pessimismo sobre o atendimento na atenção primária no SUS, principalmente em áreas ordinariamente desassistidas, criou corpo. Segundo pesquisa produzida pelo Datafolha, em dezembro de 2018, o receio de que o atendimento irá piorar atingiu o índice de 49%. O levantamento foi realizado em 130 municípios brasileiros e foram ouvidas 2.077 pessoas.

No final do ano passado, havia 8.332 médicos oriundos do país caribenho, ou seja, 51,6% do total dos profissionais que atuavam no Programa. A ausência desses médicos preocupa, especialmente, gestores municipais e a maior parcela da população, que preveem risco de aprofundamento da desassistência à saúde.

A apuração também revela que na região Nordeste 56% daqueles consultados apontam que o atendimento irá piorar, seguido do Sudeste (48%) e Sul (43%). Já nas regiões Centro Oeste e Norte, há um empate técnico: 45% avaliam que a assistência irá melhorar com a saída dos médicos e 43% que se agravarará.

 

O fato é que, com o êxodo cubano, o governo enfrenta dificuldades para completar as 8.517 vagas por eles abertas.

De acordo com os dados divulgados, embora o edital de dezembro tenha contado com 98% brasileiros inscritos, segundo o Conasems (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde), 2.800 já estavam no Programa Saúde da Família e migraram para o Mais Médicos, abrindo lacuna neste setor. Na prática, houve uma substituição de postos de trabalho. Em outros 30% dos casos, os médicos iniciantes simplesmente não apareceram para ocupar suas posições.

Um novo certame para o preenchimento de 2.549 vagas remanescentes foi recentemente encerrado, com apenas 67% de adesão. Resta, portanto, o desafio de ocupar 842 vagas, isso se todos os inscritos no edital se apresentarem. Caso tal não ocorra, a situação poderá se intensificar.

O Programa Mais Médicos tem grande importância para a política de saúde nacional, atingiu regiões antes negligenciadas pela falta de profissionais que relutavam laborar em regiões mais remotas. É preciso que o Poder Público empreenda esforços para manter, no mínimo, os índices de assistência alcançados anteriormente pela iniciativa.

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Fonte e crédito pelos gráficos: FSP, Caderno Cotidiano, de 4 de janeiro de 2019.

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