• Caop Saúde Pública

Correio da Saúde - Informe nº 756 - 17/10/2012

Edição nº 756 | Curitiba, 19 de outubro de 2012

a tuberculose na literatura dos violeiros e cantadores

Antonio Callado, notável intelectual brasileiro, registrava que literatura popular da época abordava temas relacionados a questões de saúde que afligiam a sociedade, como era o caso da tuberculose, que hoje retorna com vigor aos indicadores de doença da população.

Em um deles, o trovador anônimo, para convencer as pessoas a se deixarem radiografar pelos médicos das "unidades sanitárias aéreas", assim versejou:

Por conseguinte este livro
Não é de contos de fadas
Nem também de “cabra brabo”
Nem livro de presepadas,
Nem romance imaginário
De aventuras Passadas

É um micróbio invisível
Que se aloja no pulmão
Tem o nome de bacilo
Segundo um médico alemão
Chamado Robert Koch (Cór)

Pelo povo, a dos pulmões
De nomes tem um bocado,
Chamam: tísica, peste branca,
Cupim, fraco e catimbado,
Mufa, fraqueza do peito,
Bronzes quentes e brocado.

_____________________

(idem).

a trapezista

Nisso a cabeça rodou
Na hora não resistiu
Vomitando sangue quente
De onde estava caiu

Porém não chegou ao chão
Foi pela rede amparada
Porque a rede do circo
Já na hora estava armada

É que a trapezista não havia meio de se fazer radiografar. Ora,

Nenhum deve recusar-se
A tirara radiografia
Para isso é que o governo
Gasta assombrosa quantia

Porque nenhum nunca sabe
A hora que está doente,
Como bem a trapezista
Tão jovial e contente,
Por não cuidar de si própria
Morreu assim de repente.

____________________________________________

(A trapezista a mais fantástica hemoptise jamais descrita em verso ou prosa, citada por Antonio Callado, no texto "Julião da Galiléia", publicado na revista SR., dez/59).

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ

Recomendar esta página via e-mail:
Captcha Image Carregar outra imagem