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Correio da Saúde - Informe nº 834

Edição nº 834 | Curitiba, 1º de setembro de 2014

quem tem razão?

Recente pesquisa de opinião do instituto Datafolha revelou a percepção dos brasileiros sobre a saúde no Brasil, com foco no atendimento do SUS.

Destaca-se que, dentre as diversas áreas de atuação do governo federal, a saúde pública situa-se no topo do ranking de importância para os brasileiros, com larga margem, ou seja, 57% em relação à educação, com 18%.

O apanhado, bastante amplo, a par de revelar dados de formas de acesso e perfil de utilização dos usuários dos serviços de saúde, formula questionamentos como: i. se o dinheiro destinado ao SUS é bem administrado¹; ii. se o SUS consegue atender bem a todos, em igualdade de condições²; e, iii. se o SUS tem recursos suficientes para atender bem a todos³.

A forma de divulgação dos dados gerou grande controvérsia entre o Conselho Federal de Medicina e o Ministério da Saúde (e outros órgãos, como o CONASS e o CONASEMS), porquanto o CFM, emprestando maior relevo aos indicadores desfavoráveis, enalteceu a insatisfação da população com alguns serviços de saúde, como aqueles que apontam que 93% dos entrevistados considera-os péssimos, ruins ou regulares.

Por outro lado, o Ministério da Saúde, lamentando a interpretação parcial dos dados, através de nota, argumentou que o sistema público, hoje, proporciona acesso superior a 84% à maioria dos serviços. Das pessoas que procuram os postos de saúde, 91,3% lograram atendimento breve. Dos que utilizaram o SUS, 74% avaliam a qualidade do atendimento com notas superior a 5, sendo que um terço dos entrevistados deram notas entre 8 e 10.

Embora se possa reconhecer que há muito a evoluir no Sistema Único de Saúde, é plenamente possível creditar parte dos resultados negativos da pesquisa ao fato de que ela abrangeu universo geral de pessoas, usuárias ou não do SUS, incluídas as de maior poder aquisitivo4. Ou seja, quando o SUS é avaliado por toda sociedade, tem-se indicadores negativos; quando é avalidado apenas por aqueles que dele se utilizam obtém-se outro, positivo, ambos aparentemente contraditórios, mas, no seu conjunto, plenamente compreensíveis.

Leia e tire suas conclusões.

______________________
¹ Com relação à administração dos recursos do SUS, a discordância é geral, em todos os segmentos. De acordo com tendência já observada, os segmentos mais favorecidos de classe e escolaridade, bem como os mais jovens, apresentam visão mais crítica.
² 13% e 18% da população brasileira concordam que o SUS consegue atender bem a todos e que os recursos do SUS sejam bem administrados, respectivamente.
³ Quanto à percepção de que o SUS tem recursos suficientes para atender bem a todos, 59% discordam (percentual um pouco mais baixo que nos demais conceitos).
4 Aqueles que indicam que a imagem do SUS mostra-se mais negativa (maior proporção de notas de 0 a 4) estão entre as classes AB e com nível superior de escolaridade, notadamente na faixa etária de 25 a 39 anos.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ

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