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Correio da Saúde - Informe nº 839

Edição nº 839 | Curitiba, 24 de outubro de 2014

pílulas do prof. gilson carvalho

"A falta de dinheiro para a saúde pública é crônica. Mais irritante diante do cinismo dos governantes federais (...) que, governo pós governo, independentemente de partidos e alianças têm a mesma postura de achar que financiam muito bem a saúde e nada podem mais fazer”.

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"É lícito, é ético, que aquilo que se refere à saúde das pessoas deva ou possa estar sujeito às mesmas regras de mercado (lucro, mais valia, oferta e procura)? Jamais teremos recursos suficientes para a saúde humana (no plano mundial) se a barbárie das regras capitalistas de mercado, sem o freio da regulação, continuarem sendo aplicadas neste setor”.
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"Carrego no meu currículo a alcunha de repetitivo, inconveniente, ranzinza e outros piores, pois fico batendo na mesma tecla do cumprimento da lei. Dizem que só sei falar isto. Leis: foi muito difícil fazê-las. Pior ainda conseguir aprová-las. Mas, infinitamente tem sido pior ver executada por vários de nós próprios que a defendemos”.
[Coletânea de refelexões de Gilson Carvalho, publicadas na revista RADIS nº 143, pág. 35]

esse grande desconhecido

Cerca de 800.000 pessoas se suicidam todos os anos no mundo, ou seja, uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos, uma cifra maior que as vítimas de guerra ou de catástrofes naturais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, o oitavo país com mais suicídios, em 2012, foram registrados 11.821 mortes, sendo 9.918 de homens e 2.623 de mulheres, uma taxa de 6% para cada 100.000.

Segundo Alexandra Fleischmann, pesquisadora do departamento de saúde mental e abuso de substâncias da OMS, no que se refere à prevenção de suicídios, medidas eficazes podem ser tomadas, mesmo quando iniciadas em um nível local e em pequenas escala.

O Ministério da Saúde brasileiro instituiu, em 2006, diretrizes nacionais para prevenção de suicídios, onde se destacava o “aumento observado na frequência do comportamento suicida” e a “possibilidade de intervenção nos casos de tentativas de suicídio”, listando uma série de providências, como prevenção de danos e linhas de cuidado integrais em todo os níveis de atenção.

Não obstante a previsão da política pública e a afirmação do próprio gestor dando conta que de é factível, por vezes, se evitar a prática do suicídio, o fato é que a estratégia não apresentou grandes avanços desde 2008. Em contrapartida, os números aumentaram.

Leia artigo sobre o tema publicado na Gazeta do Povo.


1ª classe e 2ª classe

O Conselho Nacional de Saúde, por ocasião da audiência pública sobre a "direrença de classe"[*] no SUS, posicionou-se frontalmente contra a proposta.

Alertou para o fato de que, se a questão for julgada procedente, serão destruídas as bases estruturais do SUS, com forte repercussão social junto aos usuários do sistema, pois se trata da garantia de acesso igualitário para cerca de 150 milhões de brasileiros.

Nas palavras da Presidente do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro de Souza: A “diferença de classe” não salva vidas. Este arranjo estratifica e discrimina as pessoas no atendimento pelo seu perfil de renda, criando a figura do “indigente sanitário”, um cidadão de segunda classe, sem direitos. Como usuária do SUS afirmo que, mais do que nunca, precisamos defender e garantir junto aos poderes instituídos o cumprimento da lei na prática, respeitando-se os princípios da equidade-igualdade na assistência à saúde, com ações e serviços priorizados em função de situações de risco e condições de determinadas pessoas e grupos de população.

Leia mais. [diferença de classes no SUS, Revista Conasems, julho-agosto 2014]

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* possibilidade de melhoria no tipo de acomodação do paciente, no SUS, e a contratação de profissional de sua preferência mediante o pagamento da respectiva diferença.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ

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